existir

A EXISTIR surgiu em 2001, por iniciativa de um grupo de pais de crianças com Síndrome de Down, com o propósito de constituir uma entidade privada, sem fins lucrativos, que apoiasse crianças portadoras de necessidades especiais, em especial a Síndrome de Down. Fundamos a Entidade em fins de 2004, com o seu registro em 25.01.2005, tendo por objetivo um projeto diferenciado, ou seja, trabalho em grupos de crianças com Síndrome de Down a partir dos 2 anos de idade.

terça-feira, 27 de junho de 2017


2 Atividades para Crianças Desatentas

“Meu filho vive no mundo da lua. Ele não consegue prestar atenção nem se lembrar de nada que eu digo. O que há de errado com ele?” Na dica de hoje, apresento duas atividades de sequenciamento de sons que ajudarão os pequenos a vencer essas dificuldades.

desatenção das crianças é uma das queixas mais freqüentes entre os pais que acompanham o blog Como Educar Seus Filhos. Muitos pais me enviam mensagens dizendo que seus filhos vivem no mundo da lua, se esquecem com muita facilidade de instruções que acabaram de ouvir etc. Certa vez recebi uma mensagem de um pai que dizia mais ou menos o seguinte: “Carlos, um dia pedi para meu filho ir à cozinha, pegar um copo, enchê-lo de água e trazer para mim. Meu filho foi até a cozinha, mas voltou sem o copo de água, e ainda me perguntou: ‘– Pai, o que foi mesmo que o senhor me pediu pra fazer na cozinha?’”.
Cenas como essa são comuns no dia-a-dia de várias famílias. O que nós podemos fazer para melhorar a atenção das crianças? O que podemos fazer para melhorar a memória das crianças? E, sobretudo, o que podemos fazer para exercitar uma habilidade muito importante nesses casos, que é a habilidade de seqüenciamento?
No exemplo que acabei de mencionar o pai disse o que a seu filho? (1) Vá à cozinha, (2) pegue um copo, (3) encha o copo com água e (4) traga-o para mim. O que aconteceu: a criança se esqueceu de 3 desses comandos e foi à cozinha, mas voltou sem o copo de água. Ela precisa exercitar a habilidade de seqüenciamento para que mantenha na memória aquela seqüência de comandos na mesma ordem em que os ouviu.
Vou passar alguns exercícios para treinarmos essa habilidade e a exercitarmos. O primeiro exercício envolve sons não-verbais e o segundo sons verbais.
Na primeira atividade devemos usar seqüências de sons não-verbais, e para isso você pode usar aplicativos com sons de animais ou instrumentos musicais. Eu tenho aqui um brinquedinho, que costumo usar, com sons de animais que podem ser reproduzidos tocando as imagens correspondentes. É claro que antes de tudo a criança precisa associar o som a cada animal, à respectiva fonte. Uma vez que a criança tenha se acostumado aos sons, você pode passar à produção de seqüências de sons não-verbais. A criança deverá ouvir a seqüência com os olhos fechados ou vendados, ou de costas para o pai, e terá de dizer quais sons ouviu na mesma ordem em que foram produzidos.
Alguns pais podem dizer o seguinte: “Professor, eu não vou comprar um brinquedo parecido com aquele que o senhor mostrou, muito menos baixar um aplicativo no meu celular. Eu não posso praticar essa atividade em minha casa usando outros recursos?”. Ora, é claro que sim. Se você tem instrumentos musicais em sua casa, você pode utilizá-los a fim de produzir seqüências de sons não-verbais, como instrumentos de sopro e percussão. Porém, se você não tem instrumentos musicais, você pode usar brinquedos como mordedores ou bonecos de borracha.
Para terminar, vamos à segunda dica, a segunda atividade de hoje. É uma atividade muito simples em que seu filho terá de seguir instruções verbais. Você deve elaborar instruções verbais e introduzir vários comandos e seqüências de comandos. Seu filho deverá executar esses comandos na mesma seqüência, mantendo a mesma ordem.
Por exemplo: você vai ao quarto de seu filho e percebe que vários objetos estão esparramados pelo chão. Você diz então: “– Filho, pegue determinado objeto e faça com que ele pule sobre aquele outro. Depois, pegue certo objeto e o coloque dentro daquela caixa”. Seu filho então tem de executar cada comando seguindo essa ordem. Você poderá dar diversas instruções com vários comandos, estendendo o número de comandos de acordo com a capacidade de seu filho.
São essas as atividades que reservei para que você melhore a atenção, a memória e exercite essa habilidade tão importante, que é a habilidade de seqüenciamento de seus filhos.
Fonte: http://comoeducarseusfilhos.com.br/blog/2-atividades-para-criancas-desatentas/?utm_source=email_regular&utm_medium=text_link&utm_campaign=carlos_criancas_desatentas&inf_contact_key=30d07671bb2db2c212f3ec3f09f01661d212498cf74be576790b65dd31c288e3

segunda-feira, 29 de maio de 2017


Socorro, Meu Filho Não me Escuta! 

Você tem dificuldade em fazer com que seu filho preste atenção às suas instruções e obedeça aos seus comandos? Às vezes ele parece “desligar os ouvidos” de propósito e o deixa falando com as paredes? Essa experiência frustrante na comunicação com os filhos é uma queixa freqüente que recebemos dos leitores do blog. Mas, antes de achar que seu filho (ou você) tem algum problema, é preciso lembrar que, muitas vezes, a raiz dessa dificuldade está na falta de compreensão dos pais quanto ao “funcionamento” da criança.
Enquanto o adulto já aprendeu os códigos necessários à vida em sociedade, precisando assim de muito menos explicitação para entender o que se espera dele, a criança ainda não tem esse treino: para ela, tudo tem de ser mais explícito e direcionado. Isso se aplica especialmente às crianças com menos de 7 anos. Quando os pais compreendem essa realidade e passam a ter uma postura diferente com relação aos filhos, sua ação, porque mais consciente, tende a tornar-se mais eficaz.
Esse tema já foi abordado anteriormente no blog, mas vale a pena retomar os pontos principais. Confira abaixo algumas sugestões para estabelecer uma comunicação eficaz com seu filho no momento da emissão de ordens:
1.   Aproxime-se da criança. Não espere que seu filho o obedeça se você grita as instruções pela casa. Se pretende que ele leve a sério o que você diz, aproxime-se dele, olhe-o diretamente e emita a instrução com firmeza – sem gritar. Essa é a terceira dica dada neste vídeo, a qual mostra como evitar o cruzamento de interesse com os objetivos estabelecidos por seu filho, o que também pode gerar desobediência.
Neste outro vídeo, há uma prática que funciona bem com crianças pequenas, que precisam de uma explicitação ainda maior: agache-se para ficar na altura de seu filho, olhe-o nos olhos e emita a ordem. Para aumentar o foco de atenção, formule pedidos claros, como: “Filho, eu preciso de seus olhos”, ou “Filho, eu preciso de seus ouvidos”. Isso funciona melhor do que dizer: “Preste atenção!” – o que não passa de um pedido genérico, sem uma ordem precisa.
2.   Seja breve. Ao emitir uma ordem para uma criança mais nova, não use mais palavras do que o necessário, pois isso prejudicará a eficiência da comunicação.
3.   Use a voz a seu favor. Se você se irrita com a desobediência de seu filho e começa a gritar, pelo menos um resultado é garantido: você lhe transmitirá a impressão de ser uma pessoa descontrolada. Por isso, se as circunstâncias não exigirem que você grite (para afastá-lo de um perigo iminente, por exemplo), em vez de gritar, treine abaixar o volume da voz, forçando seu filho a escutá-lo. Pode não ser fácil no começo, mas isso lhe conferirá mais autoridade etreinará seu autodomínio.
4.   Cante as instruções. Crianças pequenas ainda não têm o treino necessário para a utilização eficaz da memória. Por isso, encadear instruções numa melodia fácil de guardar funciona muito bem com elas. De fato, cantar pode ser a chave para que elas realizem de boa vontade uma atividade da qual não gostam (seja lavar o cabelo, fazer a cama, guardar os brinquedos ou escovar os dentes). Na internet, você poderá encontrar algumas musiquinhas que acompanham essas tarefas. Com um pouco de criatividade, você poderá inventar algumas ou encaixar as instruções a melodias de canções que seu filho adora. Ah, e não se esqueça de compartilhá-las conosco!
5.   Espere seu filho se acalmar. Se seu filho estiver muito agitado ou sob stress emocional, não adianta esperar que ele obedeça aos seus comandos. Ajude-o a se acalmar, dê-lhe um tempo, e só então emita a ordem novamente.
6.   Verifique se há um problema pré-existente. Muitas vezes, a irritabilidade em crianças e a conseqüente desobediência decorrem de fome, falta de sono, problemas relativos à higiene ou quebra na rotina. Não adianta esperar obediência se um desses problemas está atrapalhando o funcionamento normal da criança.
Sono, higiene, alimentação e ordem são os 4 hábitos básicos abordados pelo Dr. Italo Marsili neste vídeo. Nunca é demais enfatizar que, antes de esperar bons resultados, é preciso criar condições favoráveis. Daí a importância de tomar consciência sobre as circunstâncias que estão afetando seu filho, corrigindo eventuais falhas e aumentando a harmonia familiar.
7.   Saiba escutar. Da mesma forma como você espera que seu filho o escute com atenção, é preciso demonstrar capacidade de escutá-lo. Mas isso não significa ceder aos seus protestos, ou entrar em discussões desnecessárias. Seu filho deve entender que certas ordens não estão abertas a negociação, ainda que você ouça o que ele tem a dizer.
Caso seu filho comece a questionar suas ordens, vale testar uma técnica que o Dr. Italo Marsili propõe: a técnica do disco riscado, que evita discussões desnecessárias. Consiste em focar e insistir na instrução. Funciona assim:
— João, guarde o seu brinquedo
— Mas por que sempre eu?
— Guarde o seu brinquedo, por favor, naquele baú.
— Mas isso não é justo!
— Guarde o seu brinquedo, por favor.
Se ele começar a chorar, ajude-o a guardar os brinquedos.
Gostou das dicas?

Fonte: http://comoeducarseusfilhos.com.br/blog/socorro-meu-filho-nao-me-escuta/?utm_source=email_regular&utm_medium=text_link&utm_campaign=socorro_meu_filho_nao_me_escuta&inf_contact_key=d43272231e8e9be3498191e61fc8fd7e014f5c0193807fcf062fa6c1c4b30c2d

quinta-feira, 11 de maio de 2017




Quando a fotógrafa Jéssica Vale conheceu Gustavo e Júlia em um evento, ela ficou encantada ao perceber o amor entre os dois. O casal se conhece há nove anos e é casado há oito. Mas eles tem muito mais do que a paixão em comum: os dois têm síndrome de Down. A fotógrafa quis conhecer mais sobre a história do casal pois, há dois anos, tem uma menina com a síndrome na família.
Ainda no evento, convidei eles para um encontro para fazer umas fotos e eles toparam! Nos encontramos na casa do Guga e pude conhecer um pouco da história deles.”, contou ela ao Hypeness. Juntos, eles realizaram um ensaio fotográfico para eternizar seu amor. “Passamos um linda tarde de muitas risadas, histórias e muitas fotos.“, relembra.

A ideia era que a divulgação ocorresse próximo ao Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado em 21 de março, como uma forma de conscientizar sobre a alteração cromossômica.


Através de uma publicação no Facebook, Jéssica contou como foi esse encontro e falou sobre o casal que, segundo ela, não se desgruda. Até hoje, os dois só se separam quando Gustavo sai para trabalhar. Eles moram juntos uma semana na casa da mãe dele e outra na casa da mãe de Júlia – e essas fotos são um lindo lembrete de que não existem barreiras quando o amor é verdadeiro. ♥





Todas as fotos © Jéssica Vale Fotografia

Fonte: http://www.hypeness.com.br/2017/05/nao-publicar-ensaio-fotografico-de-casal-com-sindrome-de-down-e-um-lembrete-de-que-o-amor-nao-conhece-barreiras/?utm_source=terra&utm_medium=homepageTerra&utm_campaign=terraparceiro

segunda-feira, 10 de abril de 2017


Como os Pais podem Auxiliar no Processo de Alfabetização dos Filhos
TEMPO DE LEITURA: 5 MINUTOS
É cada vez maior o número de pais que se queixam de que os filhos apresentam dificuldade em leitura e compreensão de textos e, mesmo após os dez anos de idade, ainda tropeçam em palavras. E não são nada incomuns os casos de estudantes de Ensino Médio sem fluência em leitura e com vocabulário muito pobre. Conseqüentemente tem crescido também o interesse dos pais em participar de alguma forma do processo de alfabetização das crianças e em buscar corrigir as deficiências em leitura e escrita das mesmas.
O problema se deve em grande parte ao fato de que a maioria das escolas brasileiras adota métodos ineficazes de alfabetização, os quais não levam as crianças ao domínio do princípio alfabético e enfatizam a representação gráfica dos sons da fala em detrimento dos próprios sons. As crianças aprendem primeiro os nomes das letras, como reconhecê-las e traçá-las – o que é muito importante e certamente faz parte do processo, mas é preciso ter em mente que há um momento mais adequado para treinar tais habilidades. Ao iniciar com atividades que valorizam a representação gráfica, inverte-se o processo natural, que deve partir do mais simples para o mais complexo, da experiência sonora, da escuta atenta e reflexiva dos sons verbais para só então chegar às letras.
Se você não deseja que seu filho se torne um analfabeto funcional, mas quer que tenha um alto desempenho em leitura e escrita, saiba que é possível fazer algo em sua casa para corrigir os erros dessa abordagem equivocada. Trata-se da simples prática de umas poucas atividades diárias, mesmo que você só disponha de alguns minutos por dia. O objetivo principal da maioria delas é levar as crianças a uma escuta atenta, ativa e reflexiva sobre os sons verbais, promovendo o desenvolvimento da consciência fonológica. Estas atividades que indicarei fazem parte das etapas que devem anteceder propriamente o ensino do princípio alfabético, ou seja, fazem parte de um processo de pré-alfabetização.
Leitura em voz alta
A primeira e essencial atividade é a prática diária da leitura em voz alta. Leia todos os dias para seus filhos. Leia poesias, narrativas, contos de fadas, parlendas… Se você dispõe de dez minutos, aproveite-os ao máximo. Mas não espere da criança uma atenção similar à de um adulto, sobretudo de crianças menores de 2 anos. Ainda que não pareçam prestar atenção, não desista, pois elas certamente estarão absorvendo vocabulário e estruturas sintáticas que o mero contato com a linguagem cotidiana não lhes permitiria aprender. Estudos recentes demonstraram que existe uma correlação entre o tempo de escuta de histórias e o posterior rendimento em compreensão de textos. Crianças que escutam mais histórias e por mais tempo têm um desempenho muito melhor no 4º ano do Ensino Fundamental, uma vez que compreendem textos com mais facilidade.
Com crianças maiores de 3 anos, já é possível trabalhar também a memorização e declamação de poesias. Nesse caso, sugiro a seleção de poesias adequadas à idade da criança, a qual deverá ser lida todos os dias do começo ao fim; na seqüência, a criança pode ser convidada a completar lacunas da poesia à escolha de quem guia a atividade. Depois de se familiarizar com uma poesia, seu filho poderá declamá-la de cor.
Memória auditiva de curto prazo                     
Além de praticar a leitura em voz alta, é preciso também treinar a memória auditiva de curto prazo, responsável por reter as informações auditivas que posteriormente levarão as crianças a certas conclusões. No processo de alfabetização, realizam-se as fusões fonêmica e silábica e nessa hora a memória auditiva de curto prazo exerce um papel importantíssimo.
Um exercício básico é o da obediência a comandos, pois uma criança que não consegue reter na memória uma seqüência de comandos provavelmente não terá sucesso em leitura e compreensão de textos, os quais estão ligados à compreensão auditiva. Para treinar a memória auditiva é importante que todos os dias você emita instruções com uma seqüência de ações para seu filho fazer. Por exemplo: “Vá à cozinha, pegue uma colher e traga-a para mim”. Essa é uma seqüência de três comandos, mas você pode tornar a atividade mais complexa de acordo com o desempenho da criança. Seu filho se sentirá cada vez mais desafiado à medida que o número de instruções for aumentando.
Para saber mais detalhes sobre como alfabetizar seus filhos em casa, não deixe de baixar gratuitamente o ebook “As 5 Etapas para Alfabetizar seus Filhos em Casa”, onde apresento uma abordagem fônica como o mais eficaz método de alfabetização, assim como as etapas que você deverá percorrer para levar seus filhos ao domínio do princípio alfabético.

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Fonte:  http://comoeducarseusfilhos.com.br/blog/como-os-pais-podem-auxiliar-no-processo-de-alfabetizacao-dos filhos/?utm_source=email_regular&utm_medium=text_link&utm_campaign=pais_auxiliar_processo_alfabetizacao&inf_contact_key=5acf467908c453991fa4c19e4945997e2298827c2616e0e81054db7293022dbf

segunda-feira, 3 de abril de 2017


Sindrome de Down Numa Perspectiva Neuropsicológica
Postado dia 3 de abril de 2017 por em Psicologia with 0 Comments

Por Rosa Prista


Caminhada lembra o Dia Internacional da Síndrome de Down. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
” Dois Homens olham por uma janela. Um vê as grades, o outro as estrelas.”
Provérbio Chinês

Uma senhora e uma moça, que andam na rua em direção a uma instituição que se propõe a atuar com pessoas com síndrome de Down, procuram o setor de triagem. Na portaria, informam que deve ir até o quarto andar onde está o referido setor. Os porteiros informam, ao andar, que estão subindo uma mãe e uma filha especial, acrescentando que a filha está muito agitada.
Ao chegar ao setor de triagem, procuram a secretaria onde passam a receber uma pasta, devidamente numerada onde uma história será contada.Os técnicos chegam  e recebem a “mãe”. Convidam-na a sentar. Atrás da mesa, os técnicos começam o preenchimento de uma anamnese.
A fala da “mãe” é registrada, sendo seguida por vários momentos de inquietude da “filha” que urge por se expressar  e existir como sujeito na construção de uma história onde deveria fazer parte . Frases do tipo: “Ela é assim mesmo. Fica inquieta quando vem a estes lugares”. Da bolsa, a “mãe” retira biscoitos, refrigerantes, balas para apaziguar a filha…Ao final do encontro um diagnóstico é dado e duas ou mais vidas definidas. Uma, a da mãe que anulada em seu papel de mulher passa a ser restritamente reconhecida e enaltecida como a mãe de uma deficiente. De outro lado, a filha que continuará a ser falada pelos outros mas nunca será significada em seus atos. O pai supostamente inexistente ou ausente continuará anulado pois o padrão é chamar a mãe e não a família composta de mãe, pai, avós , tios, ou seja, as pessoas que criam vínculos com a pessoa com Down, base de todo processo de construção de personalidade.
Esta descrição, a princípio grotesca aos olhos sensíveis, acontece a todo instante, em setores de triagem  dos hospitais, clínicas, instituições de educação especial. Aconteceu em 1988 quando atuava como psicóloga no setor de triagem  e estava escrevendo sobre  “A Desumanização do Ser nas Escolas de Educação Especial” que era a minha tese de doutoramento. Continua presente na maioria das instituições, núcleos de saúde mental, hospitais psiquiátricos, etc.
Em 2017, uma outra cena merece destaque. Fui convidada a assistir o  lançamento da Campanha: ” Somos todos 21″. No auditório convidados, suas famílias e no palco  protagonistas do Web – Série Geração 21, dez jovens com Down falavam de suas histórias. Sentada na  cadeira do auditório, ao lado da pedagoga Tatiane Santos, assistindo ao belo trabalho de Alex Duarte e de Karina Carvalho, viajei para minha longa experiência com as famílias das pessoas com Down. Os  discursos eram diversos e os olhares curiosos daqueles que resolveram dizer ao mundo que são PESSOAS. Após a apresentação da história de cada um, lágrimas escorriam de boa parte da platéia,  perguntas foram elencadas. Uma das perguntas levantadas pela platéia pedia uma comparação entre o momento atual das pessoas com Síndrome de Down e a situação que acontecia há trinta anos atrás.
E esta pergunta mereceu a minha reflexão. Viajei para os anos 80 quando também olhava para as pessoas com Down com curiosidade mas percebendo incoerências entre o que estava escrito e o que eu sentia na convivência com eles. Nossa cultura construída por cada um de nós vai gradativamente anulando a identidade destes sujeitos e suas famílias na tentativa de uniformizar comportamentos, crenças, valores espirituais e materiais e impedindo a possibilidade de existência da diversidade tão necessária  ao surgimento do sentimento de família.
Eram duas cenas que brigavam em minha mente. Na época inicial, sem dúvida, empobrecíamos as pessoas com Down associando-as a deficientes. Anulávamos as famílias apenas chamando a mãe em detrimento do pai mesmo sabendo que a aprendizagem de qualquer pessoa depende das duas figuras ou substitutos. É preciso  informar sobre o que pode e o que não pode, sobre a subjetividade e a objetividade, o sim e o não, ou seja, sobre as polaridades para que um dia a pessoa decida quais os valores e temas deseja para si.
Mas o Down pode escolher? morar sozinho? namorar? casar? Sim! Já nos anos 80 várias pessoas com Down já realizavam seus desejos nos países europeus. Conseguia visualizar o potencial da criança mas …era preciso ter permissão das famílias para que eles pudessem avançar. Lembro de uma viagem para Santa Catarina onde levei vinte jovens do Grupo Artístico: “Poesia em Movimento” que era constituído de pessoas com Down, superdotados, sindrômicos, autistas para uma apresentação no Teatro Municipal de Blumenau .
No grupo, um rapaz chamado Paulo costumava não querer tomar banho ou lavar suas peças íntimas . Tínhamos regras definidas coletivamente e como Paulo não cumpria, os profissionais não tinham que lavar e nem comandá-lo. Ele levou todas as suas cuecas em um saco para casa mas também não pode participar de todas as tarefas de lazer em função dos acordos pré-existentes. Quando chegou ao Rio de Janeiro sua mãe o tirou do grupo porque acreditava ser nossa obrigação lavar a roupa do filho . Apesar desta senhora ter participado de todas as reuniões e orientações, ela agia como a maioria das mães que possuem filhos sindrômicos: protegia, falava  e fazia tudo por ele!
Estudo há anos a capacidade do Down de mover-se no mundo. Em 2004, lancei o livro: “Deficiência Mental ao Espelho. A Humanização do Ser através da Psicomotricidade. Intencionalidade, Inteligência e Complexidade”, onde denunciava a patologização das pessoas com Down e de suas famílias fazendo uma análise longitudinal por  dez anos com quinze famílias . Também lancei a proposta de como reverter este quadro e de lançar estas pessoas no mercado através de uma metodologia própria.
Hoje, sou chamada pelos profissionais como  “Coaching de pessoas superdotadas, pessoas com síndromes” pois acompanho a trajetória de várias famílias. Acompanhar estas pessoas implica em processo complexo onde envolvemos todas as pessoas em torno, ampliamos expressões verbais e não verbais e formas de Ser do sujeito, construímos uma trajetória de vida baseado em suas reais necessidades, desejos assumidos com responsabilidade. Transcendemos e libertamos seres e  os devolvemos a história de onde nunca deveriam ter sido excluídos.
Tenho acompanhado toda a trajetória de conhecimento científico na área de Síndrome de Down  mas ainda lamentavelmente percebo que a área de educação e saúde  em nosso país não acompanhou tal progresso. Continuamos a formar sujeitos amputados de seus desejos, de suas capacidades e de suas necessidades demonstrados por corpos rígidos , por posturas desequilibradas, por inércia, por servilidade, por lentidão nos movimentos, por sentimentos de menos valia, por inadaptação das funções psicomotoras, por limitação de seus recursos simbólicos internos e por empobrecimento de suas expressões. O empobrecimento da motricidade dos sujeitos e de suas famílias interrompem o processo de intencionalidade e portanto de ação. Imobilizados acabam por reproduzir modelos .
Em 2017, temos certeza de que o vivido no lançamento do “Cromossomo 21″ é o que tanto almejei nas minhas reflexões e o que a equipe da Consultoria : “ENCONTRE-SE!” concretizou.
Podemos afirmar que o fracasso que visualizamos em muitas pessoas ao longo da história não provém da questão sindrômica mas sim da dialética relacional estabelecida com estas pessoas, com suas famílias, com seus professores, com os técnicos. É preciso mudar o paradigma da inclusão do micro – o Down para o macro – a sociedade. Uma Sociedade inclusiva que saiba que desenvolvimento é processual e artesanal. Nas palavras de Alex Duarte e Karina Carvalho: ” Somos todos 21!”
Fonte: http://folharj.com.br/2017/04/03/sindrome-de-numa-perspectiva-neuropsicologica/

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017


A TECNOLOGIA ASSISTIVA COMO RECURSO PARA A INCLUSÃO ESCOLAR
Política da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva propõe que o estudante com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) ou altas habilidades/superdotação seja matriculado preferencialmente na rede regular de ensino e orienta os sistemas de ensino a promoverem respostas às necessidades educacionais especiais (NEEs), garantindo, entre outras coisas, o Atendimento Educacional Especializado (AEE), a acessibilidade (urbanística, arquitetônica, nos mobiliários, nos equipamentos, nos transportes, na comunicação e na informação) e a formação dos professores para a inclusão (BRASIL, 2008, p. 8).
O AEE deve ser ofertado nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) e tem como objetivo complementar ou suplementar a formação dos estudantes. Dentre as atividades realizadas no AEE, a Política indica que devem ser disponibilizados recursos de Tecnologia Assistiva (TA) (BRASIL, 2008, p.10).
De acordo com o Comitê de Ajudas Técnicas – CATTecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (BRASIL, 2007).
A utilização da TA no AEE depende das características individuais do estudante, do conhecimento do professor sobre a TA e da disponibilidade das mesmas na SRM.
Desta forma, na perspectiva da Educação Inclusiva tem-se o destaque ao uso da Tecnologia Assitiva (TA) como possibilidade de inclusão no ensino regular de estudantes com Necessidades Educacionais Especiais (NEE), principalmente daqueles com alguma deficiência ou com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que apresentam limitações na comunicação e na interação social. A TA deve ser utilizada com os referidos estudantes na sala de aula do ensino comum e, principalmente no AEE.  Bersch afirma que “no contexto educacional inclusivo, a tecnologia assistiva caracteriza-se como um conjunto de recursos que promovem o acesso e a participação dos alunos com deficiência na aprendizagem […]” (BERSCH, 2009, p. 15).
As opções de TA que podem ser utilizadas com estudantes que apresentam algum tipo de NEE são bastante diversas. Incluem desde tecnologias simples que o próprio professor pode confeccionar como pranchas de comunicação e outros mais complexos como recursos de acessibilidade ao computador, softwares mais elaborados, leitores, vocalizadores, controladores eletrônicos de ambientes, etc. Os recursos de TA, desta forma, se diferenciam em recursos de alta e de baixa tecnologia. Os recursos de baixa tecnologia são geralmente definidos como passivos ou fáceis de usar, mais baratos e com poucas partes móveis, como por exemplo: instrumentos customizados para as mãos, adaptações para recursos de escrita, apoio para livros, recursos para facilitar o alcance, talheres adaptados e materiais como velcro, antiderrapantes, fitas adesivas, etc. (MARTINS, 2011, p. 38). Já os recursos de alta tecnologia são geralmente definidos como recursos mais complexos e que apresentam componentes eletrônicos, tais como computadores, vocalizadores, equipamentos para o controle de ambiente, cadeiras de rodas motorizadas, etc. (INGE e GALVIN apud MARTINS, 2011, p. 38).
A TA é essencial na garantia do direito à educação das pessoas com deficiência e/ou Transtorno do Espectro Autista, sendo um fator que contribui e, em muitos casos, possibilita a inclusão escolar. Por isso concordamos com Bersch “que se fazem necessários na escola o conhecimento e a aplicação prática da tecnologia assistiva” (BERSCH, 2009, p. 21).
O conhecimento sobre a TA na escola, vai circular a partir do professor, especialmente, do professor do AEE, o que traz implicações relacionadas à formação desse profissional. É necessário que o professor do AEE tenha sólido conhecimento no que se refere às Tecnologias Assistivas, pois são consideradas de sua atribuição o uso e a confecção das mesmas. Nesse sentido, é importante que as mantenedoras propiciem ao professor atuante nesse espaço a participação em formações específicas. Além disso, é compromisso do próprio professor buscar estar atualizado e capacitado para a execução do seu trabalho. Existem vários cursos, inclusive em plataformas públicas de Educação à Distância que fornecem formações sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação de uma forma geral e de Tecnologias Assistivas, mais especificamente.
Somente com o conhecimento do que há disponível e do que pode ser confeccionado o professor poderá realizar a avaliação adequada da necessidade de uso de tecnologia assistiva do estudante com deficiência ou TEA. Com isso, o professor do AEE também poderá auxiliar o professor da classe comum e a família do estudante, pois muitas TA são imprescindíveis nas atividades de vida diária, as chamadas AVD’s e podem ser utilizadas em casa, possibilitando uma maior autonomia e uma melhor qualidade de vida.
Referências:
BERSCH, R. Design de um Serviço de Tecnologia Assistiva em Escolas Públicas. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Engenharia, Programa de Pós-Graduação em Design, Porto Alegre, BR-RS, 2009.
Disponível em http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/18299/000728187.pdf?sequence=1. Acesso em sete de fevereiro de 2017.
BRASIL. CORDE, Comitê de Ajudas Técnicas. ATA VII. 2007. Disponível em http://portal.mj.gov.br/corde/arquivos/doc/Ata_VII_Reunião_do_Comite_de_Ajudas_Técnicas.doc. Acesso em sete de fevereiro de 2017.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, 2008. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/politica.pdf. Acesso em sete de fevereiro de 2017.
MARTINS, D.S. Design de Recursos e Estratégias em Tecnologia Assistiva para Acessibilidade ao Computador e à Comunicação Alternativa. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Engenharia, Programa de Pós-Graduação em Design, Porto Alegre, BR-RS, 2011. Disponível em http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/38706/000823437.pdf?sequence=1. Acesso em sete de fevereiro de 2017.

Fonte: https://psicologiaacessivel.net/2017/02/14/a-tecnologia-assistiva-como-recurso-para-a-inclusao-escolar/