existir

A EXISTIR surgiu em 2001, por iniciativa de um grupo de pais de crianças com Síndrome de Down, com o propósito de constituir uma entidade privada, sem fins lucrativos, que apoiasse crianças portadoras de necessidades especiais, em especial a Síndrome de Down. Fundamos a Entidade em fins de 2004, com o seu registro em 25.01.2005, tendo por objetivo um projeto diferenciado, ou seja, trabalho em grupos de crianças com Síndrome de Down a partir dos 2 anos de idade.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016


Rotina puxada é recompensada com desenvolvimento de comunicação dos filhos
27/02/2016 17h54 

Por Augusto Diniz


Mães contam como é difícil lidar com um distúrbio que ainda é pouco conhecido e sofre com diagnósticos muitas vezes equivocados



Na foto, Ana Beatriz, de 3 anos, e a mãe Fabiana | Foto: Arquivo pessoal/Fabiana Collavini
Os dois primeiros anos de vida de uma criança são quando a fala é desenvolvida. Desde o choro às primeiras palavras, quando o bebê começa a aprender a usar a língua, a boca, o lábio e o céu da boca para se comunicar, os murmúrios começam a se tornar palavras nos primeiros meses de vida até se tornarem frases completas curtas entre a idade de 1 e 2 anos.
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Mas nem sempre isso acontece. Quando uma criança tem apraxia da fala, um distúrbio neurológico que atrapalha o desenvolvimento motor da fala, a criança não consegue estabelecer a comunicação oral. É aí que começa o problema de pais e mães ou responsáveis por filhos pequenos.
Essa rotina para pais e criança se torna puxada, já que não há uma conexão e entendimento a partir da fala. É o caso de Fabiana Covallini, de 38 anos, mãe da Ana Beatriz, de 3 anos. Bia, como Fabiana a chama, começou a ser levada a sessões de fonoaudiologia a partir dos 11 meses.
Em casa, a dificuldade inicial aconteceu porque Bia tinha dificuldade de balbuciar. Depois do primeiro ano de tratamento para buscar uma resposta para a filha não conseguir se expressar através de sons, houve a mudança de fonoaudióloga.
A segunda profissional que avaliou o caso de Bia suspeitou de apraxia na fala. Até então Fabiana disse que não tinha a mínima noção do que vinha a ser esse distúrbio.
“Era superestressante, a gente pulava de médico em médico”, relata a dificuldade em achar um diagnóstico conclusivo para o motivo de Bia não conseguir desenvolver a fala normalmente. Fabiana contou que levou a filha a pediatras, neurologistas e outros profissionais de saúde até descobrir o que Bia tinha em São Paulo.
Natural da capital paulista, Fabiana mora em Goiânia há oito anos. Mas foi só em São Paulo que, ao procurar a fonoaudióloga Elisabete Giusti, que teve a certeza que se tratava mesmo de apraxia na fala.
De acordo com Giusti, o diagnóstico ideal é feito com 3 anos de idade, quando é possível ter certeza do distúrbio, mas sinais já são notados a partir dos 2 anos. Bia teve o problema detectado cedo. “Bia fica muito nervosa pela dificuldade de se comunicar, mas é uma criança supersociável”, descreveu a mãe.
Desconhecimento
Como é um distúrbio pouco conhecido e também ainda não muito reconhecido entre os profissionais de saúde brasileiros, como explica Elisabete Giusti, acontecem casos de apraxia que são diagnosticados como autismo ou outras síndromes como Down. “Tudo isso dificulta o tratamento correto e o desenvolvimento da fala dessa criança”, afirma a fonoaudióloga.
No caso de Fabiana, que leva a filha de quatro a cinco vezes por semana a sessões de fonoaudiologia e tem um acompanhamento médico após o diagnóstico de apraxia em Bia, o desenvolvimento cognitivo apresenta resultados. “Ela faz outras atividades que gosta, como balé e capoeira.”
Todo avanço de Bia, com conta Fabiana, depende do estímulo e acompanhamento familiar. “Acaba gerando mais desgaste e ela fica mais cansada, mas eu tento, por exemplo, colocar ela para dormir antes das sessões”, descreve. Mesmo quando descreve como “puxada” a rotina com a filha, ela diz que o que importa é ver o desenvolvimento da filha.
Diagnóstico tardio
Ao contrário de Bia, Caíque, que tem hoje 11 anos, só teve o diagnóstico de apraxia na fala apresentado quando ele já tinha entre 5 e 6 anos. A mãe de Caíque, Cláudia Oliveira, de 44 anos, relata que precisou também ir a São Paulo para encontrar um foniatra — otorrinolaringologista especialista em foniatria, que é uma área médica que se dedica aos casos de distúrbio dos sons.
“O Caíque começou o tratamento com 1 ano e 6 meses. Ele demorou muito para começar a andar”, lembra Cláudia. A mãe diz que o garoto não conseguia emitir nenhum som ao tentar falar.
O médico que diagnosticou Caíque em São Paulo foi indicado por um parente de Cláudia que havia feito um tratamento de gagueira. Mas as dificuldades continuaram depois de constatar que o caso do filho era apraxia.
“Foi uma peregrinação para achar um fonoaudiólogo em Goiânia que tivesse conhecimento do distúrbio.” Caíque passa por um tratamento que inclui a comunicação aumentativa e alternativa (CAA), que, de forma resumida, é um conjunto de estratégias e ferramentas para resolver desafios comunicativos cotidianos.
Além de ter passado anos sem conseguir falar, Caíque tem dificuldades motoras para executar movimentos finos, que são a destreza de mãos e dedos. “Ele aprendeu a andar de bicicleta sozinho, mas tem atividades que ele desenvolve de forma mais lenta”, explica Cláudia.
O que a mãe descreve com um “vocabulário mais pobre” que filho tem, ela considera uma vitória, pois antes nem falar ele conseguia. “Ele é uma criança muito resolvida. A comunicação melhorou bastante. Antes ele não conseguia se comunicar. Imagine alguém que não consegue transmitir aquilo que quer falar?”
Dificuldades
Para Cláudia, as dificuldades em encontrar médicos especializados que tenham conhecimento e saibam tratar a apraxia são problemas que dificultaram o início do tratamento correto do filho. “Se tivesse desde o começo as informações que a gente tem hoje seria muito mais fácil”, descreveu.
A grande melhora do desenvolvimento motor da fala no filho se deu de 2014 em diante. “Há mais ou menos um ano ele consulta com uma psicóloga comportamental. Hoje é bem melhor.”
Mas a mãe afirma que nem sempre foi tão fácil assim verificar desenvolvimento no caso de Caíque. “É muito difícil você tentar se comunicar e não ser entendido. É difícil na escola, com os amigos”, explica. Cláudia diz que as dificuldades de antes são as que motivam a busca por mais informações, até mesmo para ajudar outras mães e famílias que lidam com esse distúrbio.
“Tem muito diagnóstico que desespera, mãe sai chorando do consultório, como quando dizem que a criança tem autismo e não é autismo que a criança tem”, revela Cláudia. Segundo a mãe de Caíque, a luta das mães, como ela e Fabiana, que fazem parte da Associação Brasileira de Apraxia de Fala na Infância (Abrapraxia), é a de buscar mais informações sobre o distúrbio e tratamento.
A entidade realizou um curso, ministrado pela fonoaudióloga Elisabete Giusti, na sexta-feira (26/2) e neste sábado (27) até as 18 horas, no auditório Valéria Perillo do Centro de Reabilitação e Readaptação Doutor Henrique Santillo (Crer), direcionado a profissionais de saúde e parentes sobre a apraxia na fala, seu diagnóstico e tratamento.
As mães, ao conversarem com o Jornal Opção sobre o distúrbio e a rotina de conviver com a apraxia diariamente, tratam o assunto como uma responsabilidade delas com a sociedade. “O que eu puder trazer para ajudar a vida do Caíque eu vou atrás”, concluiu Cláudia.


FONTE: http://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/rotina-puxada-e-recompensada-com-desenvolvimento-de-comunicacao-dos-filhos-59831/

EXISTIR PARTICIPA DE EVENTO PROMOVIDO PELA GERAÇÃO DOWN
A EXISTIR TEVE A SATISFAÇÃO DE PARTICIPAR DE PALESTRA ORGAZINADA PELA GERAÇÃO DOWN BRASIL, NO DIA 27.02.2016, CUJO TEMA ABORDADO FOI SÍNDROME DE DOWN – DIAGNÓTICO, TRATAMENTO E INCUSÃO, A QUAL TROUXE GRANDE MELHOIA NOS NOSSOS CONHECIMENTOS.

FICA AQUI REGISTRADO NOSSOS AGRADECIMENTOS A TODOS QUE PARTICIPARAM.






PROJETO BRINQUEDOTECA EXISTIR

EXISTIR FAZ REUNIÃO COM PAIS, AMIGOS E RESPONSÁVEIS DE NOSSAS CRIANÇAS, JUNTAMENTE COM COLABORADORES E DIRETORIA, A FIM DE TRATAR DAS DIRETIVAS PARA OS PROCEDIMENTOS DO PROJETO DE NOSSA BRINQUEDOTECA.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016


“Ainda Não Existe a Inclusão de Fato na Educação”

LUIZ ALEXANDRE SOUZA VENTURA
24 Fevereiro 2016 | 15:55
Professora afirma que escolas e docentes precisam de estrutura e conhecimento para ensinar estudantes com deficiência da forma correta. Ela cita como exemplo as conquistas de seu aluno Rafael, de 14 anos, que foi alfabetizado em menos de dois anos.
Em 14 anos de magistério, a professora Maria Emília Abreu, de 32 anos, já encontrou muitos estudantes com deficiência em salas de aula, mas sempre percebeu que somente e presença desses alunos na escola não possibilitava a verdadeira inclusão.
“Ainda não há inclusão de fato na educação. Para isso realmente acontecer, é necessário oferecer a estrutura correta e estabelecer os objetivos corretos, para o aluno ter condições de alcançar”, afirma a docente, que trabalha atualmente no Projeto Atendimento Domiciliar, do setor de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação de Santos, no litoral sul de São Paulo.
A professora não precisou de muito tempo para perceber que a inclusão na educação é conquistada por meio de mecanismos específicos, de ferramentas especializadas, e também com a capacitação de monitores e professores.
“Estou neste projeto desde 2014, mas nunca havia trabalhado diretamente com estudantes com deficiência e, por isso, fui em busca de conhecimento para entender como deveria agir e o que aplicar para cada aluno”, explica Maria Emília. Após cursar quatro pós-graduações, a mais recente em Atendimento Educacional Especializado (AEE) – no campi de São Vicente da Faculdade da Aldeia de Carapicuíba (Falc) – ela deve começar ainda neste ano um mestrado na mesma área.
Os resultados da educação especializada surgem quando o docente compreende a pessoa que está ensinando, sabe reconhecer as potencialidades desse aluno, e também de que forma as deficiências desse estudante têm impacto em seu desenvolvimento. Um exemplo dessa dinâmica, especialmente gratificante para a professora Maria Emília, é seu aluno Rafael de Andrade Farias, de 14 anos.
 “O Rafael tem a distrofia muscular de Duchenne – uma condição que provoca atrofia constante, afeta todo o corpo, inclusive a respiração -, além de um déficit cognitivo. Em nossa primeira aula, no dia 28 de abril de 2014, ele mal reconhecia as letras e conhecia os numerais somente até o nove”, conta a professora.
Em 2013, Rafael frequentava a Unidade Municipal de Ensino Barão do Rio Branco, em Santos, mas sofreu um acidente durante uma brincadeira com os colegas de classe, caiu da cadeira de rodas e quebrou o fêmur. Por isso, entre agosto e dezembro daquele ano, ele estudou somente em casa, com docentes do atendimento domiciliar.
No ano seguinte, o primeiro de trabalho da professora Maria Emília com Rafael, as aulas domiciliares foram diárias. E a evolução foi significativa. “Apesar de ir à escola e de ter monitora na sala de aula, o Rafael era excluído porque não havia trabalho específico. Aos 12 anos, ele nem sabia escrever”, comenta a docente.
O segredo desse trabalho está no detalhe, explica Maria Emília. “Em 2015 nós reduzimos as aulas em casa para duas vezes na semana porque ele também faz fisioterapia respiratória e outras atividades na Casa da Esperança, e seria uma carga muito grande. Para ele aprender as letras e ser alfabetizado, usamos atualmente tablet e computador, porque a caligrafia, para ele, por causa da distrofia muscular, é muito difícil de executar”, diz.
Em outubro do ano passado, Rafael e a professora Maria Emília foram juntos à unidade do Poupatempo, em Santos, para o estudante tirar a segunda via do RG, porque, na primeira, ele aparecia como não alfabetizado. “O Rafael assinou o documento. É uma prova que a educação correta, aplicada da forma certa para alunos com deficiência, tem sim resultados importantes”, conclui a professora.


Fonte: http://brasil.estadao.com.br/blogs/vencer-limites/ainda-nao-existe-a-inclusao-de-fato-na-educacao/

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016


Ameaça à Cidadania: Escolas particulares mobilizam-se contra estudantes com deficiência (por Paulo Denis Pereira)
Enquanto jornais e emissoras de rádio e televisão requentam a pauta de tantos fevereiros, alertando os senhores pais sobre o aumento do material escolar e orientando-os a pechinchar nas papelarias, outro acontecimento de maior dimensão ronda o ano letivo de 2016: nutridos proprietários de escolas amotinam-se contra o calouro Estatuto da Pessoa com Deficiência, instituído pela lei 13.146, que entrou em vigor no último dia seis de janeiro. O ataque ao Estatuto, que é a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, teve início em agosto do ano passado, um mês após sua publicação: alegando que a educação de pessoas com deficiência é responsabilidade exclusiva do Estado, a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino ajuizou no Supremo Tribunal Federal ação direta de inconstitucionalidade contra os artigos 28 e 30.
A Confenen pretende suprimir do Estatuto o parágrafo primeiro do artigo 28, que proíbe a cobrança por escolas particulares de taxas adicionais para alunos com deficiência, bem como o artigo 30 que determina a adoção de procedimentos diferenciados para esses estudantes também em processos seletivos de instituições privadas de ensino superior e de educação profissional e tecnológica. Como o ministro Edson Fachin indeferiu a medida cautelar, a Confederação interpôs em novembro agravo regimental, pedindo a reconsideração desse despacho e remessa do recurso ao Tribunal Pleno do STF. Para Fachin, o atendimento do pleito da Confenen para alteração dos artigos 28 e 30 do Estatuto traria o risco de conceder às escolas particulares o “odioso privilégio do qual não se podem furtar os demais agentes econômicos. Privilégio odioso porque oficializa a discriminação.”
A insurreição dos donos de escolas contra o Estatuto da Pessoa com Deficiência contou com outras escaramuças, como a autuação pelo Procon de uma escola no Rio de Janeiro em que os pais têm que assinar um contrato de matrícula declarando que seus filhos não são portadores “de qualquer necessidade especial” e que estão cientes de que “escola não trabalha com necessidades especiais”. De acordo com a nota do colunista Ancelmo Góis, do jornal O Globo, de 11 de novembro, o Procon considerou a cláusula discriminatória. O Blog da Cidadania denunciou que a Confenen está orientando as escolas particulares a adotarem contratos de matrícula ilegais, pois contrariam o Estatuto. De acordo com modelo de contrato divulgado no blog, a cláusula 1.2 do documento estabelece que a escola “não tem condições materiais e pessoal próprio para ministrar educação especial”. O parágrafo 1º da cláusula 3 do contrato determina que constitui “responsabilidade adicional dos contratantes, com pagamento à parte, o custo com atendimento, serviços, equipamentos, pessoal e material especiais de que o aluno, individualmente, por condições próprias, necessitar, pago diretamente a terceiros – fornecedores ou prestadores de serviços”.
O informativo da Confenen de janeiro e fevereiro deste ano informa que a Federação dos Estabelecimentos de Ensino de Minas Gerais ajuizou habeas corpus preventivo e coletivo junto ao Tribunal de Justiça “para evitar a prisão arbitrária de diretor, professores e funcionários, como já aconteceu”. Na contramão do despacho do STF, em 11 de dezembro em Florianópolis, o juiz Alcides Vettorazzi, da 2ª Vara da Justiça Federal concedeu liminar em ação ajuizada pelo Sindicato das Escolas Particulares de Santa Catarina(Sinepe/SC), permitindo que faculdades particulares possam cobrar valores diferenciados de estudantes com deficiência.
De forma avessa aos movimentos inclusivos que emergem pelos quatro cantos do mundo, a ambição e a ignorância parecem constituir este véu obscurantista que os gestores de escolas privadas lançam sobre as famílias de pessoas com deficiência. Descobrimos que para eles há duas classes de cidadãos. No entender de tais gestores, haveria os de primeira classe – nos quais não se poderia vislumbrar nenhuma ausência ou disfunção de estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica – e os de segunda classe, as pessoas com deficiência. Esses “inferiores cidadãos” teriam que pagar pesado ágio para ingressar em escola privada ou teriam que recorrer somente a escolas públicas. Com insuficiência cognitiva ou visual (já denotando, portanto, alguma deficiência), esses senhores não compreenderam ou não enxergaram que, bem antes da vigência do Estatuto, a Constituição Federal, promulgada em 1988, ao estabelecer em seu artigo 205 os princípios do ensino, elencou em seu primeiro item a “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”.
Desconheceram, também, o artigo 209 da Carta Magna, que aqui transcrevemos:
“O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições:
I–cumprimento das normas gerais da educação nacional;
II–autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público.”
Dentre as normas gerais referidas no artigo 209, podemos destacar alguns princípios definidos para o ensino na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional , de 20 de dezembro de 1996, como “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola” (repete-se aqui o que consta na Constituição), “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber”, “pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas” e “respeito à liberdade e apreço à tolerância”.
De forma inequivocamente intolerante, em setembro de 2015, o Sinepe/SC divulgou à comunidade escolar catarinense uma constrangedora e desastrada carta aberta em que se rebela contra a legislação nacional que determina a inclusão de alunos com deficiência no sistema regular de ensino. O Sinepe/SC tentou demonstrar a impossibilidade do ingresso de alunos com deficiência nas escolas particulares alegando que limitações financeiras, estruturais, logísticas e de recursos humanos inviabilizariam o adequado acolhimento desses estudantes. Para o Sindicato, caberia somente ao Estado “o dever constitucional de atender o portador de necessidades especiais”.
Com exacerbado puritanismo, a carta do Sinepe chegou a sugerir o risco de que, “em razão da deficiência”, um aluno abra a braguilha e exponha a genitália ou bata em colegas menores. Alguém pode assegurar que os demais alunos, não em razão de eventual deficiência, mas movidos por quaisquer caprichos, não impõem constrangimentos até maiores a colegas ou mesmo que nunca agrediram um colega ou um professor? Vincular a violência – condição inerente a todos os seres humanos – aos estudantes com deficiência é, no mínimo, preconceito, senão má fé.
A choradeira dos patrões escolares, obviamente desacompanhada de informações sobre os seus lucros, não os eximirá, jamais, da responsabilidade de aceitar matrícula de qualquer estudante – incluindo-se, é claro, aqueles com deficiência -, conforme estabelecem a Constituição Federal, o Estatuto da Pessoa com Deficiência e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Míopes e audazes, os proprietários de escolas nem mesmo parecem temer o artigo 8º do Estatuto da Pessoa com Deficiência, que qualifica como crime punível com multa e reclusão de dois a cinco anos a recusa de inscrição ou a cobrança de valores adicionais de aluno em qualquer estabelecimento de ensino em razão de sua deficiência.
As atitudes da Confenen e do Sinepe traduzem infeliz ameaça de genocídio contra pessoas com deficiência. Pior do que um obstáculo arquitetônico, que dificulta o acesso, o posicionamento dos representantes das escolas particulares visa eliminar a possibilidade de matrícula na rede regular de ensino por estudantes com deficiência – a não ser que suas famílias paguem a conta sozinhas. Ao impedir o ingresso de alguém à escola, retiram-se violentamente – tal como o pássaro que arranca o alimento do bico de filhote alheio -, as suas oportunidades de alcançar autonomia. Da mesma forma, impede-se sua integração ao ambiente escolar. Reprime-se, desta forma, o direito de conviver, de ser parte da sociedade, ou, sinteticamente, de existir ou de viver.
Ao entender como razoável a exclusão pela escola do aluno com deficiência, um descuidado leitor da carta aberta do Sinepe poderia depreender que se justificariam semelhantes iniquidades em distintos setores e espaços destinados à coletividade e geridos por entes privados, tais como um táxi, um veículo de transporte coletivo, um teatro, um estádio de futebol, um restaurante ou uma clínica médica. Ou é sensato pensar que quem merece, por necessidade e direito, um tratamento qualificado, por vezes com maior custo, deve ser taxado em excesso ou alijado do espaço coletivo/público?
Sabe-se que é justamente a escola (privada ou pública) que inclui portadores de necessidades especiais que exercita um papel educativo elevado e beneficia-se com as diferenças. É com nossas diferenças que se constrói uma sociedade mais plural e mais verdadeira.
CAPITALISMO COM RISCOS BANCADOS PELO ESTADO
A educação é um bem precioso que nunca poderá ser negado às pessoas com deficiência. Como diz a Constituição Federal no artigo 205, “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Perguntamos: os patrões escolares não se consideram integrantes de nossa sociedade? Portanto, não estariam aptos a colaborar para preparar pessoas para o exercício da cidadania em nosso país? Lamentavelmente, o seu comportamento, longe de prezar pela cidadania, assemelha-se aos ideais de eugenia perseguidos pelo nazismo. Eles buscariam formar redutos de “estudantes puros”, com minimizadas dificuldades de aprendizagem, clientes perfeitos neste pretendido capitalismo sem riscos – ou com riscos bancados pelo Estado.
A carta do Sinepe gerou manifestações de repúdio de pais de alunos com deficiência e de organizações da sociedade civil. A Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina, representantes da Câmara de Vereadores de Florianópolis, grupos de mães e representantes de associações de pessoas com deficiência foram ao Ministério Público exigir a retratação do Sinepe/SC. O Sindicato acabou por retratar-se aoafirmar em nota oficial que se solidariza com “os que se disseram atingidos no seu juízo crítico e sensibilidade por eventual excesso da linguagem utilizada”. Justificou-se explicando que buscava “apenas a apresentação das dificuldades de emprego das normas do Estatuto da Pessoa com Deficiência”.
Nossos argumentos em favor da inclusão de pessoas com deficiência nas escolas privadas não excluem, obviamente, a urgente necessidade de as escolas da esfera pública se adaptarem às exigências do Estatuto, qualificando-se e apropriando-se de recursos humanos especializados e infraestrutura adequada.
O Estatuto, em seu artigo 2o, considera pessoa com deficiência “aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, promovida pela ONU em 2006, elenca, entre os tipos de deficiência, a sensorial, que pode ser visual (cegos ou de baixa visão) ou auditiva (surdos), a intelectual (síndrome de Down e outros), a física (paraplégicos, tetraplégicos, amputados etc.) e a múltipla, em que a pessoa possui mais de uma deficiência, como o surdo-cego, por exemplo.
As pessoas com deficiência poderiam ser denominadas, talvez mais adequadamente, como pessoas com disfunção funcional ou com desafios especiais, que precisam superar cotidianamente. A expressão diversidade funcional foi proposta em 2005 na Espanha pelo Foro de Vida Independente e trilha um viés inclusivo e não reabilitador ou limitador ao buscar a substituição de termos pejorativos como deficiência e incapacidade. A psicopedagoga Márcia Barddal, voluntária da Associação Amigo Down, de São José, SC, considera o termo diversidade funcional “uma forma mais positiva e mais digna de vermos as deficiências ou desafios que todos em algum momento temos, como mais uma diversidade dentre outras tantas de nós, seres humanos”.
Mesmo que alcancemos avanços conceituais e o arcabouço jurídico garanta plenamente os direitos de pessoas com diversidade funcional, os patrões escolares, que tentaram buscar guarida junto aos juízes do STF, postam-se à frente dos portões de suas escolas, mobilizados na defesa de seu despreparo e de seus lucros. Cremos que somente com pranto e ranger de dentes se construirá a verdadeira sociedade inclusiva, que tratará com equidade todas as nossas diferenças.

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/ameaca-a-cidadania-escolas-particulares-mobilizam-se-contra-estudantes-com-deficiencia-por-paulo-denis-pereira/

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016


INCLUSÃO: A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE ESCOLAR E SOCIAL NO DESENVOLVIMENTO CEREBRAL DA CRIANÇA


A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE ESCOLAR E SOCIAL NO DESENVOLVIMENTO CEREBRAL DA CRIANÇA
A qualidade do ambiente, onde a criança está inserida influencia na maneira como o cérebro se prepara para a aprendizagem.
Elementos conhecidos, variados e agradáveis dão a criança a sensação de bem estar e se segurança. Um mundo estimulador, repleto de plantas, brinquedos, fotos, imagens, quadros decorados, aromas e sabores estimulam a atenção e dão motivação para a criança explorar o mundo.
É importante a participação da criança na decoração da casa e do ambiente escolar ajudam a desenvolver as potencialidades da criança pois o nosso cérebro é social.
Todos nós temos o desejo de pertencer a um grupo, de sermos aceito por este grupo e de sentirmos reconhecidos pelo grupo. A participação ativa do aluno na construção do ambiente, a sua volta, estimula este a interagir com o ambiente e a construir a sua aprendizagem.
Em todos os âmbitos sociais, temos que trabalhar os vínculos, o respeito, a solidariedade e a harmonia entre os membros de um grupo pois aprendemos socialmente.
Uma criança aprende pelo modelo que visualiza e tende a copiar as ações dos outros.
Para isto, além de uma estimulação adequada, o cérebro precisa de uma dieta balanceada e variada pois, para uma participação ativa no meio social, o corpo necessita de energia.
Frutas, lacticínios, cereais, proteínas, azeites, substâncias como ômega 3, 6 e 9 devem estar presentes na dieta diária.
Além disso, o descanso é fundamental para que a criança possa recuperar as suas energias devido ao desgaste do dia a dia. Crianças que não dormem bem e que apresentam transtornos do sono, tem a sua capacidade de concentração e de manter o foco de atenção, por um período mais prolongado de tempo, bem como prejuízo das suas destrezas motoras e das funções cognitivas como a memória.
O descanso, aliado a uma dieta balanceada, são os nutrientes básicos para a aprendizagem e, quando associados a prática de exercícios de relaxamento e de respiração, favorecem a oxigenação do cérebro e auxiliam o corpo a recuperar as suas energias.
Na escola, logo após o recreio, a prática de exercícios de relaxamento e de respiração ajudam a criança a retomar a sua capacidade de concentração diminuindo a sua excitação e ajudando a criança a lidar melhor com atividades conflitivas que podem ocorrer, neste momento, devido excitabilidade excessiva.
Esta prática ajuda a modelar a resposta emocional, a desenvolver o autocontrole e a melhorar o rendimento cognitivo devido a melhora da oxigenação do cérebro que diminui o stress e ajuda o cérebro a manter a atenção seletiva e sustentada.
Por outro lado, é importante incorporar em sala de aula novidades e diferentes estímulos sensoriais como mudanças no tom de voz, no volume e no ritmo, modificar os estímulos visuais com o uso de cores diferentes na grafia, mudar as formas, movimento e tamanho dos materiais utilizados pois, tais modificações, despertam o interesse e a curiosidade.
O processo de aprendizagem vai se enriquecendo quando encontramos significado e sentido naquilo que se estuda. O cérebro presta atenção no que considera relevante para a vida e se converte mais facilmente em memória de longo prazo.
Estímulos atrativos, aliados a propostas práticas, aumentam a motivação e o compromisso o que, por consequência, ajudam na memória. Trabalhar em uma horta ajuda o aluno a aprender mais sobre as plantas e as ciências naturais.
O estado emocional é uma parte essencial do processo de aprendizagem pois ele proporciona as condições para o aluno receber a informação, compreendê-la e armazená-la. Um relação positiva entre os membros do grupo é essencial para a aprendizagem.
Aplicar exercícios e jogos que levem o grupo a reconhecer as suas emoções ajuda na aprendizagem.
A prática também é um aspecto que não pode ser negligenciado no dia a dia escolar e social. A aprendizagem necessita que a informação se repita e seja associada em diferentes momentos e de diversas maneiras nas relações conhecidas na vida cotidiana.
A melhor maneira de fortalecer a memória de longo prazo e incorporar as informações, gradualmente, é repetir, aplicar e experimentar. Prática e repetição provocam aprendizagens que penduram.
É importante é graduar as atividades as possibilidades dos alunos pois o aluno, com o ensino adequado as suas possiblidades e potencialidades, ai desenvolvendo gradativamente a sua autoestima e um autoconceito positivo.
Cada pessoa é única com um exclusiva combinação genética e tempos próprios para a maturação. Isto decorre das experiência de vida e talentos.

Fonte: http://atividadeparaeducacaoespecial.com/inclusao-a-influencia-do-ambiente-escolar-e-social-no-desenvolvimento-cerebral-da-crianca/

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016


EXISTIR FESTEJA SEUS 11 ANOS DE ATIVIDADES

No dia 28.01.2016 a EXISTIR comemorou o Décimo Primeiro Aniversário de existência, no exercício de suas atividades, contando  com a colaboração dos Pais e Responsáveis, Colaboradores, Profissionais e Administradores da Entidade.